quinta-feira, 12 de abril de 2018

Os Verdadeiros Filósofos segundo Sócrates

Escultura da mãe, parteira e o bebe 

Quando o espírita estuda as filosofias socrática e platônica, fica forçosamente impulsionado a compará-las a espírita, pela semelhança de seus princípios. Isto não significa dizer que o Espiritismo tenha se inspirado ou copiado as ideias de Sócrates e Platão, pois eles viveram muito antes da revelação espírita. Este fato é resultado que as verdades espirituais, que são leis divinas e imutáveis, estão ao alcance de todo aquele que deseja e busca a verdade, desde que a procure com humildade e abnegação. No entanto, vários são os métodos para aquisição deste conhecimento e é nisto que elas se diferenciam. Estudemos de forma detalhada os matizes destas filosofias.
É oportuno esclarecer a maneira pela qual Sócrates encarava a filosofia, pois a sua postura foi um divisor de águas para o mundo greco-romano. Um dos pilares da filosofia de Sócrates chama-se maiêutica. Ele julgava-se desprovido de sabedoria e comparava seu ofício de filósofo ao de uma parteira, que ajudam as mulheres a darem à luz a seus filhos. Sócrates, no entanto, ajudava homens a conceber suas ideias. É por isso que nos deparamos na grande maioria de sua fala, diálogos com seus discípulos, e não monólogos.
O posicionamento maiêutico de Sócrates nos leva a acreditar que é autor da célebre frase: “Conhece-te a ti mesmo”. No entanto, os registros históricos indicam que esta frase foi inscrita na entrada do oráculo de Delfos, templo religioso pagão, onde o deus Apolo profetizava através de uma mulher, chamada sacerdotisa ou pitonisa. Assim, Sócrates afirma que esta é sua busca conforme o trecho abaixo:
- Até agora não fui capaz de conhecer-me a mim mesmo, conforme aquilo do oráculo de Delfos”; “É a alma, portanto, que nos recomenda conhecer quem nos apresenta o preceito: Conhece-te a ti mesmo.”4        
Sócrates é contemporâneo dos sofistas. Os sofistas eram pessoas cultas, especialistas em determinado assunto, viajadas e ganhavam a vida ensinando os cidadãos de Atenas. Os sofistas tinham como pedra angular a seguinte afirmação: “O homem é a medida de cada coisa”1. Isto significa que o certo e o errado, o bem e o mal são relativos, devendo ser avaliados de acordo com a necessidade humana. Assim, a defesa de uma tese dependia apenas dos bons argumentos apresentados, ou seja, para que uma afirmação seja verdadeira, basta apresentar argumentos que convençam o ouvinte de sua veracidade. Assim, para um sofista, a mesma tese pode ser defendida ou acusada de acordo com a necessidade de cada um.
Ruínas do Oráculo de Delfos
De maneira diversa dos sofistas, Sócrates não cobrava pelos seus ensinos. Ia junto ao povo, nas praças, nos mercados para dialogar com as pessoas. Não fez viagens, morando em Atenas por toda sua vida. Acreditava que existia a verdade, pois ela é objeto de desejo de todo filósofo e só poderia ser apreendida quando o homem se desvencilhasse de seu comércio com o corpo. O filósofo deve apenas cuidar da alma. Veja um diálogo com seu discípulo Símias que evidencia este conceito:     
- ... Parece-te próprio de um filósofo preocupar-se com o que diz respeito aos chamados prazeres, como por exemplo, comer e beber?
- O menos possível, Sócrates, respondeu Símias.
- E aos prazeres do amor?
- Não.
- E em relação aos outros cuidados com o corpo? Achas que eles têm algum valor para o filósofo? Assim, por exemplo, a posse de um traje belo ou de calçados caros ou de qualquer outro embelezamento destinado ao corpo, na tua opinião, deve ser coisa que o filósofo tenha em apreço...?
- Ele terá tais coisas em desapreço, disse, pelo menos se for realmente filósofo.
- Então, de modo geral, prosseguiu Sócrates, achas que as preocupações de tal homem não se dirigem ao que concerne ao corpo, mas, ao contrário, na medida do possível, elas dele se separam e se dirigem à alma?
- Sim, sem dúvida.
- Assim, pois, para começar, não é em circunstâncias deste gênero que se revela o filósofo, quando, o mais possível, ele liberta a alma do comércio com o corpo, ao contrário do que fazem os outros homens?
- É claro.
“... Aqueles que, no sentido preciso do termo, cuidam de filosofar, permanecem afastados de todos os desejos corporais sem exceção, mantendo uma atitude inflexível e não cedendo às paixões. A perda de patrimônios, a pobreza, não lhes causa medo, como acontece com a multidão dos amigos da riqueza; e nem a existência sem honrarias e sem glória...”2 

O esquilo Scrat do filme a "A Era do Gelo" apegado à sua noz
Se analisarmos a sociedade atual sob a ótica socrática, concluiremos que o nosso comportamento consumista que o capitalismo nos convida a tomar nos distancia da filosofia, ou seja, de sermos realmente filósofos: a busca pela aquisição de bens materiais apenas para satisfação de nosso orgulho, egoísmo e vaidade é reprovável por Sócrates. Assim, o desapego às coisas materiais deve ser uma diretriz de vida de todo filósofo. Portanto, o filósofo é acima de tudo um homem de conduta. Mas por que se deve ter esta postura?
Continuemos com Sócrates:
“Se, com efeito, é impossível, na união com o corpo, conhecer algo com pureza, das duas uma: ou não nos é possível, de nenhuma maneira, adquirirmos o saber ou, então, somente será possível quando estivermos mortos, pois será apenas nesse momento que a alma estará em si mesma e por ela mesma, separada do corpo, e não antes.” 2
“Além disso, durante o tempo que a nossa vida possa durar, estaremos – segundo parece – o mais perto do saber precisamente quando tivermos o menos possível comércio ou sociedade com o corpo...” 2
A busca da sabedoria, da pureza, do conhecimento, da verdade está diretamente relacionada à sua conduta, ao seu comportamento, principalmente no que diz respeito ao desapego às coisas materiais. Segundo Sócrates, esse saber poderá ser alcançado em vida à medida que nos desapegamos das coisas materiais, mas só será completo quando nos separarmos definitivamente do corpo, por ocasião da morte.
Este diálogo naturalmente suscita outro questionamento: O que é alma para Sócrates? Esta questão não será respondida neste momento, sendo assunto para o próximo artigo deste blog, quando daremos prosseguimento à filosofia Socrática e Platônica. Porém, faço uma breve reflexão: o espírita pode ser enquadrado como um verdadeiro filósofo segundo Sócrates? A afirmação de Kardec abaixo tem alguma relação com o pensamento de Sócrates:
Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más.” 5
Deixo a cargo do amigo leitor esta reflexão comparativa entre os verdadeiros filósofos e espíritas.
Por João Viegas
Referências bibliográficas:
1. O Mundo de Sofia – Romance da história da filosofia. Tradução de João Azenha Jr.. 24a reimpressão. São Paulo: Companhia das Letras, Cap. Sócrates ...mais inteligente é aquele que sabe que não sabe.
2. Platão. Fédon. Tradução de Miguel Ruas. 3ª reimpressão. São Paulo - SP, A morte é a libertação do pensamento – Primeira parte.
3. O Mundo de Sofia – Romance da história da filosofia. Tradução de João Azenha Jr.. 24a reimpressão. São Paulo: Companhia das Letras, Uma voz divina, Cap. Sócrates.
4. Concepção e imortalidade da alma em Platão, Evandro PEGORARO Juliano de SOUZA, Jun-Dez 2010, Revista Mirabilia 11.
Site internet:
5. KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. 99ª ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, Os bons espíritas, cap. XVII Sede Perfeitos.

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domingo, 1 de abril de 2018

ESPIRITEENS ABRIL 2018

          Gostaria de divulgar a edição do Jornal ESPIRITEENS do mês de abril de 2018. Este jornal pertence a Juventude Amor e Luz (JAL), da qual sou evangelizador. A JAL acontece todos os sábados no Grupo Espírita Amor e Luz (GEAL), sediado na Rua Ramos Ferreira, Manaus-AM. Segue, portanto, que ele é voltado para o público jovem de 13 a 21 anos. É pra mim motivo de muita alegria poder retornar as minhas origens no movimento espírita, trabalhando com jovens, e especialmente poder escrever pra eles nesse pequeno trabalho, mas que foi feito com muito amor! Espero que gostem!     




sábado, 10 de março de 2018

Quem foram Sócrates e Platão?

Busto de Sócrates
Sócrates e Platão influenciaram, de maneira determinante, o pensamento e as ciências do antigo mundo grego e europeu. O impressionante é que esses homens viveram há mais de 350 a.C. e, no entanto, desenvolveram uma teoria extraordinária, utilizando apenas a única ferramenta que, segundo Sócrates, é o guia mais seguro para o homem descobrir a verdade: o pensamento. Para ele, o corpo com seus desejos, suas paixões e seus sentidos perturbam a alma, que busca encontrar a verdade apenas pelo ato de raciocinar, ou seja, pela razão.1
Antes de discorrer sobre Sócrates e Platão, cabe aqui uma explicação: se o objetivo deste blog é o estudo da Doutrina dos Espíritos, por que devemos debruçar-nos sobre outras filosofias? Se, segundo os próprios Espíritos, o tipo mais perfeito que Deus ofereceu ao homem para lhe servir de guia e modelo é Jesus2, por que devemos nos preocupar com outros vultos que se destacaram pela sua inteligência, sabedoria e conhecimento, uma vez que Jesus nos revela as leis espirituais de Deus? O que eles nos ensinariam a mais?
Para compreender esta necessidade, segue abaixo a questão de nº 626 de “O Livro dos Espíritos”:
Só por Jesus foram reveladas as leis divinas e naturais? Antes do seu aparecimento, o conhecimento dessas leis só por intuição os homens o tiveram?
“Já não dissemos que elas estão escritas por toda parte? Desde os séculos mais longínquos, todos os que meditaram sobre a sabedoria hão podido compreendê-las e ensiná-las. Pelos ensinos, mesmo incompletos, que espalharam, prepararam o terreno para receber a semente. Estando as leis divinas escritas no livro da natureza, possível foi ao homem conhecê-las, logo que as quis procurar. Por isso é que os preceitos que consagram foram, desde todos os tempos, proclamados pelos homens de bem; e também por isso é que elementos delas se encontram, se bem que incompletos ou adulterados pela ignorância, na doutrina moral de todos os povos saídos da barbárie.”2
Os Espíritos nos esclarecem que as verdades espirituais estão pulverizadas pelo Universo, que podemos encontrá-las nos ensinos de homens de bem, como Sócrates e Platão, por exemplo. Mesmo que eles tenham cometidos equívocos, confundindo essas verdades com mitos, preconceitos e a própria ignorância humana, esses filósofos demonstraram que elas estão ao alcance de todo aquele que deseja obtê-las, desde que limpem seus corações de todas as mazelas do orgulho, egoísmo e vaidade. Eles também prepararam a mente humana para a revelação moral e espiritual: a filosofia de Jesus.
Feitas essas considerações, podemos prosseguir.  
Sócrates nasceu na cidade grega de Atenas por volta do ano 469 a.C.. Foi condenado e morto em 399 a.C. por combater, através de suas ideias, as crenças equivocadas do povo de sua época, sendo acusado de “corromper a juventude” e “não reconhecer a existência dos deuses”3. Pagou as suas convicções com a própria vida. Platão, que foi discípulo de Sócrates, nasceu também em Atenas em 427 a.C. e faleceu por volta de 347 a.C.. É importante destacar, do ponto de vista histórico, que Sócrates não escreveu uma linha se quer. Tudo o que sabemos dele é através dos escritos de seus discípulos.
A importância de Sócrates para filosofia está na mudança drástica de seu objeto de estudo. Antes dele, os filósofos tinham como preocupação dominante o estudo da natureza. Por isso, são chamados de filósofos naturais ou pré-socráticos. Citamos, como exemplo, Demócrito que estabeleceu o conceito de átomo para matéria. A partir de Sócrates, o homem é o centro dos debates filosóficos em Atenas.   
Platão era um homem culto de sua época, pois teve a oportunidade de receber uma educação de alta qualidade, além de ser discípulo de outros filósofos, além de Sócrates. Estas condições permitiram a Platão fundar a Academia de Atenas. Portanto, mesmo ouvindo Sócrates em seus diversos diálogos, devemos ter em mente que a construção de seu pensamento passa pelas mãos de Platão.4
No entanto, ao entrarmos em contato com os diálogos de Sócrates, veremos que este fato não tem a menor importância, pois estes ensinos são de uma coerência, lógica e beleza que atravessaram séculos, que tem no Cristianismo a sua confirmação e no Espiritismo o seu resgate e a sua demonstração patente.5
De maneira breve podemos destacar os principais princípios da filosofia de Sócrates e Platão: a maiêutica, ou seja, Sócrates admitia sua própria ignorância para a partir dela buscar o conhecimento; a existência da verdade proveniente dos deuses deve ser o objeto de desejo de todo filósofo, pois o conhecimento do que é certo o leva a agir corretamente; a existência da alma antes da concepção, pois como ele mesmo disse: “Instruir-se é recordar”; a imortalidade da alma e a necessidade do cuidar da alma; Sócrates também acreditava nas vidas sucessivas da alma e a necessidade da sua purificação. Em fim, a alegoria da caverna, representando a dualidade do mundo das ideias com o mundo dos sentidos.
Quantas semelhanças existentes com a filosofia espírita? Esta filosofia desenvolvida há 24 séculos evidencia os esclarecimentos dos Espíritos: as verdades espirituais estão pulverizadas no Universo e à medida que o homem progride é capaz de adquiri-las, quer por meio da revelação ou através de seus estudos.
Por João Viegas

Referências bibliográficas:
1. Platão. Fédon. Tradução de Miguel Ruas. 3ª reimpressão. São Paulo - SP, A morte é a libertação do pensamento – Primeira parte.
2. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 74ª ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, Conhecimento da lei natural, cap. I Da lei divina ou natural, Parte Terceira – Das leis morais
3. O Mundo de Sofia – Romance da história da filosofia. Tradução de João Azenha Jr.. 24a reimpressão. São Paulo: Companhia das Letras, Uma voz divina, Cap. Sócrates.
4. Concepção e imortalidade da alma em Platão, Evandro PEGORARO Juliano de SOUZA, Jun-Dez 2010, Revista Mirabilia 11.
Site internet:
5. KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. 99ª ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, IV – Sócrates e Platão, precursores da idéia cristã e do Espiritismo, Introdução.

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terça-feira, 25 de abril de 2017

O Espiritismo é Ciência? Última parte

Metodologia: Controle universal do ensino dos Espíritos
Chegou, por fim, a vez da metodologia. Para falar sobre a metodologia criada por Kardec devemos entender um pouco mais sobre as características do mundo dos Espíritos.
Assim como há a diversidade humana, existe também a diversidade dos Espíritos
A diversidade dos Espíritos é um dos princípios elementares da Doutrina Espírita, pois é resultado das observações dos fatos, por meio dos fenômenos espíritas. Este princípio traz consequências diretas à ciência espírita, pois Kardec teve que se munir de critérios e métodos para dividir e classificar os Espíritos, e consequentemente as suas comunicações. Observem abaixo o que ele escreve a esse respeito:
 “Um dos primeiros resultados que colhi das minhas observações foi que os Espíritos, nada mais sendo do que as almas dos homens, não possuíam nem a plena sabedoria, nem a ciência integral; que o saber de que dispunham se circunscrevia ao grau, que haviam alcançado, de adiantamento, e que a opinião deles só tinha o valor de uma opinião pessoal. Reconhecida desde o princípio, esta verdade me preservou do grave escolho de crer na infalibilidade dos Espíritos e me impediu de formular teorias prematuras, tendo por base o que fora dito por um ou alguns deles.”1
A conclusão de Kardec de que a opinião dos Espíritos tem o valor de uma opinião pessoal é fundamental para compreender muitos pontos da Doutrina espírita, pois se um dos seus propósitos é revelar aos homens as verdades espirituais, como obtê-las diante de um cenário tão insólito?
A cobrança da mediunidade é um obstáculo ao Espiritismo
Kardec teve que se precaver de muitos problemas inerentes às manifestações espíritas, pois sabia que para conseguir alcançar as comunicações do mais alto conhecimento e sabedoria deveria se desvencilhar do charlatanismo, do embuste e da comercialização da mediunidade, práticas muito comuns a sua época e até os dias de hoje.
Mas isso não era suficiente. Mesmo as sessões espíritas cujos seus participantes: médiuns, esclarecedores e ouvintes fossem mulheres e homens de bem com as melhores das boas intenções, podem ser vítimas de espíritos mistificadores, que se passam por vultos dignos de respeito, apenas para ganhar a nossa confiança e plantar ideias equivocadas, controversas ou maliciosas com o intuito de criar a dúvida, a discórdia e a divisão.
Para se prevenir de todas as dificuldades inerentes à mediunidade, ele lançou as bases da ciência espírita, que se chama “Controle Universal do Ensino dos Espíritos”2. Uma metodologia na qual vários Espíritos, em locais diferentes, com médiuns distintos, nos ensinam espontaneamente sobre as questões da mais alta gravidade para filosofia: quem somos nós? De onde viemos? Para onde vamos? Ele pôde comparar os ensinos que possuíam coerência, lógica e concordância daqueles que não passavam de um equívoco, de uma opinião pessoal ou de uma ignorância.
Veja abaixo a relevância que Kardec dá a essa metodologia para a Doutrina Espírita:
Essa coletividade concordante da opinião dos Espíritos, passada, ao demais, pelo critério da lógica, é que constitui a força da doutrina espírita e lhe assegura a perpetuidade. Para que ela mudasse, fora mister que a universalidade dos Espíritos mudasse de opinião e viesse um dia dizer o contrário do que dissera. Pois que ela tem sua fonte de origem no ensino dos Espíritos, para que sucumbisse seria necessário que os Espíritos deixassem de existir. É também o que fará que prevaleça sobre todos os sistemas pessoais, cujas raízes não se encontram por toda parte, como com ela se dá. 3
Diante de um quadro histórico que nos permite afirmar que o Controle Universal nasceu e morreu com Kardec, ou seja, nenhum pesquisador espírita após o seu desenlace utilizou-se desta metodologia, é nossa responsabilidade compreender quais foram os motivos que levaram seus continuadores a terem esta postura. Os espíritas do séc. XXI que se preocupam com estas questões devem abrir o debate sobre as novas exigências que a epistemologia imprime sobre a ciência, para descobrirmos se o método criado por Kardec tornou-se obsoleto. Caso o controle Universal esteja caducado, devemos buscar novas soluções de metodologia para dar continuidade ao aprimoramento da ciência espírita. Este debate é longo e requer amadurecimento do movimento espírita para enfrentá-lo, porém, ele é necessário. Este tema será desenvolvido em artigos futuros, no momento oportuno. 
Chegamos ao final desta defesa. Esperamos sinceramente ter apresentado argumentos consistentes e relevantes a favor da ciência espírita, e o querido leitor, que teve a paciência de nos acompanhar até o final desta jornada, possa realmente ter se convencido deles. Esta abordagem nos permitirá visualizar a Doutrina de um ponto de vista muito mais amplo, e nos ajudará a avaliar com propriedade se os rumos que o Espiritismo tomou se distanciaram de sua raiz. Entretanto, com esta postura progressista que o próprio Kardec asseverou para os princípios Espíritas, temos a total liberdade de discordar dele e dos próprios Espíritos, desde que façamos com cautela e discernimento. Mas devemos ficar atentos também às distorções ocorridas e trabalhar para que eles voltem aos seus eixos. Por fim, compreender o pensamento de Kardec, acerca da ciência espírita, é fundamental para seguir em frente, e assim, darmos prosseguimento e aprimoramento ao extenso labor do Fundador do Espiritismo.         
Por João Viegas
         Referências bibliográficas 
1. KARDEC, Allan. Obras póstumas. Tradução de Guillon Ribeiro. 1ª ed. especial Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2005, A minha primeira iniciação no Espiritismo, segunda parte.
2. KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. 99ª ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, Autoridade da Doutrina Espírita, item II, Introdução.
3. KARDEC, Allan. A Gênese. Tradução de Guillon Ribeiro. 38ª ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, Introdução à primeira edição publicada em janeiro de 1868.

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terça-feira, 22 de novembro de 2016

O Espiritismo é Ciência? Parte VI

Caráter progressista da ciência espírita:
A Ciência progredi com as pesquisas. Com o Espiritismo não seria diferente
Devemos ter em mente que as explicações recebidas dos Espíritos por Kardec, acerca dos fenômenos, estavam de acordo com o grau de conhecimento dos homens daquela época, e, portanto, cabe a nós, enquanto adeptos do Espiritismo, dar continuidade a esse trabalho, agregando à teoria espírita novos elementos para torná-la atual e consistente. Com efeito, a ciência espírita foi criada por Kardec, e ele sabia que apesar do enorme trabalho realizado durante a revelação espírita, o progresso da própria ciência poderia mostrar pontos equivocados da Doutrina, uma vez que isso ocorre com todas as ciências, pois elas são resultado dos esforços de diversos pesquisadores ao longo do tempo. Com o Espiritismo não seria diferente. Segue abaixo as palavras dele que atestam a sua postura progressista:        
“Caminhando de par com o progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado, porque, se novas descobertas lhe demonstrassem estar em erro acerca de um ponto qualquer, ele se modificaria nesse ponto. Se uma verdade nova se revelar, ele a aceitará.”1
Allan Kardec, Fundador do Espiritismo  
Assim, “O Livro dos Médiuns” não é a última palavra em mediunidade. Longe disso, ele foi o primeiro esforço muito bem sucedido para compreender fenômenos que sempre acompanharam a humanidade desde sua tenra idade. Até a revelação espírita, estes fenômenos eram apenas tratados dentro do âmbito da fé religiosa e as pessoas envolvidas eram vítimas de muito preconceito, marginalizadas, perseguidas e mortas pela sociedade, em especial, pela religião. Curiosamente, são justamente nos livros ditos “sagrados” que encontramos diversos registros destes fenômenos. O Espiritismo veio a seu tempo para imprimir caráter científico a eles e afirmar que os médiuns não sofrem de nenhuma patologia catalogada pela ciência. São pessoas normais como outras quaisquer.
Outro aspecto relevante é a preocupação de Kardec em refutar teorias e sistemas que dão outras explicações aos fenômenos espíritas. O “Livro dos Médiuns” possui um capítulo dedicado a isso. Trata-se do capítulo IV da primeira parte que se chama “Dos Sistemas”. Evidentemente, trata-se de uma defesa de argumentos contra a Doutrina que circulavam à época da revelação. No entanto, no ano do desenlace de Kardec, o Espiritismo sofreu severo ataque de um filósofo alemão chamado Eduard von Hartmann2, que analisou os fenômenos espíritas e lançou a teoria anímica, descartando a espírita proposta pelo Espiritismo. Sumariamente, a teoria anímica consiste em atribuir ao próprio médium a origem de todas as comunicações. Mesmo estando inconsciente, ele seria o responsável pelos fenômenos sem nenhum tipo de intervenção inteligente extracorpórea. O interessante nessa questão é perceber que os Espíritos falaram abertamente a Kardec sobre o animismo, porém com outro nome: sonambulismo. Admitiram ser perfeitamente possível que “a alma do médium pode comunicar-se como a de qualquer outro...”3, sem prejuízo a teoria espírita.
Ernesto Bozzano, pesquisador Espírita
A defesa da teoria espírita veio com o alemão Alexandre Aksakof2 e com o cientista italiano Ernesto Bozzano2 que mostraram que Hartmann apresentou uma teoria que não resolvia todos os problemas do fenômeno. Faltava-lhe, portanto, abrangência.
Um dos desafios que a teoria espírita enfrenta atualmente está na estreita relação, do ponto de vista de seus sintomas, entre os fenômenos espíritas e os transtornos psicóticos, como por exemplo, a esquizofrenia. Esse debate suscita alguns questionamentos, tais como: como distinguir o que é influência espiritual daquilo que é patológico? Será que todo transtorno psicótico sofre de influência espiritual? Será que a recíproca é verdadeira? São perguntas que devem ser pesquisadas para promover o progresso necessário a teoria espírita, tornando-a atual e consistente. Atualmente, existem pesquisadores na área de psiquiatria que estudam a fronteira entre as doenças psíquicas e mediunidade. Ressaltamos, entre eles, o Prof. Dr. Alexander Moreira-Almeida, coordenador do Núcleo de Pesquisa em Espiritualidade e Saúde (NUPES). O NUPES faz parte do programa de pós-graduação da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).
Alexander Moreira-Almeida, psiquiatra
A ciência, finalmente, através de iniciativas que transcendem a teoria reducionista materialista, começa a deslumbrar que nem todo fenômeno psíquico pode ser facilmente explicado pelas leis conhecidas da matéria. Que a hipótese espiritualista não pode mais ser renegada ao âmbito da religião, pois é uma hipótese viável, que propõe soluções que as leis da matéria não têm competência pra resolver. Eis uma excelente oportunidade que a ciência tem nas mãos de prestar um belíssimo serviço à saúde pública, recomendando tratamentos adequados e eficazes às pessoas que passam por perturbações de ordem espiritual, evitando diagnósticos equivocados, com fins de possibilitar o equilíbrio físico e espiritual daqueles que procuram seus serviços.
Por João Viegas
Referências
1)   KARDEC, Allan. A Gênese. Tradução de Guillon Ribeiro. 38ª ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, Capítulo I, Caráter da Revelação Espírita, ítem 55.
2)   MIRANDA, Hermínio C., Diversidade dos Carismas. 8ª ed. Rio de Janeiro: Instituto Lachâtre, 2013. 1 Teoria e a Experiência, Cap III Animismo.
3)   KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. Tradução de Guillon Ribeiro. 64ª ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, Influência do Espírito pessoal do médium, Capítulo XIX – Do Papel do médium nas Comunicações Espíritas, Segunda Parte – Das manifestações espíritas.

sábado, 13 de agosto de 2016

O Espiritismo é Ciência? Parte V

Papel dos espíritas perante o Espiritismo
Fenômeno mediúnico sendo observado por pesquisadores
Muitos espíritas acreditam que a filosofia espírita é mérito exclusivo dos Espíritos, cabendo a Kardec apenas sistematizar e organizar as comunicações provenientes do plano espiritual. Este comportamento poderia sugerir aos adeptos do Espiritismo uma postura passiva e silenciosa diante das comunicações, sem a necessidade de investigação, análise e ponderações, uma vez que os Espíritos nos esclarecem com muita propriedade sobre os diversos temas que nos afligem. Nada poderia estar mais longe da verdade. Esse pensamento pode estar presente nas mentes dos espíritas em virtude da postura humilde de Kardec registrada nos prolegômenos de “O Livro dos Espíritos”. Lá ele afirma:
“Este livro é o repositório de seus ensinos (dos Espíritos). Foi escrito por ordem e mediante ditado de Espíritos superiores, para estabelecer os fundamentos de uma filosofia racional, isenta dos preconceitos do espírito de sistema. Nada contém que não seja a expressão do pensamento deles e que não tenha sido por eles examinado. Só a ordem e a distribuição metódica das matérias, assim como as notas e a forma de algumas partes da redação constituem obra daquele que recebeu a missão de os publicar.”1
É exato afirmar que a filosofia espírita provém dos Espíritos, no sentido de que ela não saiu da cabeça de um homem, como ocorre com as ciências da matéria. Mas não é exato afirmar que a única missão de Kardec era de publicar seus ensinos. Encontramos no próprio “O Livro dos Espíritos” as marcas de um genuíno pesquisador. Como ler “O Livro dos Espíritos” pulando a sua introdução? Não é lá como começamos a entender como a Doutrina começou a ser revelada? Não é lá que está registrado os primeiros fenômenos estudados por Kardec? Tudo começou com as mesas girantes, depois a cesta com o lápis, a prancheta e por fim a mão do médium. O que dizer do seu artigo “Ensaio Teórico das Sensações nos Espíritos”? Mesmo possuindo limitado conhecimento do funcionamento do cérebro, ele consegue responder com maestria como é possível os Espíritos terem as mesmas sensações e percepções humanas, como a dor, por exemplo, se são destituídos de corpo físico? Como explicar as diversas reclamações, de que foi testemunha, de frio e calor dos Espíritos?
Vou dar um exemplo para tornar clara a função daquele que investiga os fenômenos espíritas. É o próprio Kardec que explica:
 “Passa-se no mundo dos Espíritos um fato muito singular, de que seguramente ninguém houvera suspeitado: o de haver Espíritos que se não consideram mortos. Pois bem, os Espíritos superiores, que conhecem perfeitamente esse fato, não vieram dizer antecipadamente: “Há Espíritos que julgam viver ainda a vida terrestre, que conservam seus gostos, costumes e instintos.” Provocaram a manifestação de Espíritos desta categoria para que os observássemos. Tendo-se visto Espíritos incertos quanto ao seu estado, ou afirmando ainda serem deste mundo, julgando-se aplicados às suas ocupações ordinárias, deduziu-se a regra. A multiplicidade de fatos análogos demonstrou que o caso não era excepcional, que constituía uma das fases da vida espírita; pode-se então estudar todas as variedades e as causas de tão singular ilusão, reconhecer que tal situação é sobretudo própria de Espíritos pouco adiantados moralmente e peculiar a certos gêneros de morte; que é temporária, podendo, todavia, durar semanas, meses e anos. Foi assim que a teoria nasceu da observação. O mesmo se deu com relação a todos os outros princípios da doutrina.”2
Apesar de muitos princípios terem sido resultados das observações dos fenômenos, existem outros promulgados pelos Espíritos que Kardec não teve como demonstrá-los ou evidenciá-los. Esse é o caso da reencarnação. Na questão nº 171 de “O Livro dos Espíritos” ele questiona: Em que se funda o dogma da reencarnação?3 Os Espíritos, por sua vez, respondem: “Na justiça de Deus e na revelação...”3. Ou seja, é um princípio que foi agregado a filosofia espírita, resultado dos ensinos dos Espíritos, e não da observação dos fatos.    
No entanto, ele utilizou de outros critérios para se certificar da veracidade das informações provenientes dos Espíritos como será esclarecido adiante.
Pesquisadores analisam a atividade cerebral de médiuns em transe 
Por sua vez, “O Livro dos Médiuns” é uma obra na qual Kardec expõe toda sua perspicácia na análise das comunicações. Esta obra possui um capítulo especial de mensagens apócrifas4 atribuídas a espíritos de alta envergadura moral, como Jesus de Nazaré por exemplo. Ele fez este registro para que os espíritas saibam que ninguém está livre de receber comunicações mistificadoras, e que cabe aos espíritas discernir o falso do verdadeiro. É intrigante notar que esta recomendação seja proveniente dos próprios Espíritos, ou seja, são os próprios Espíritos que nos dizem que devemos analisar as mensagens oriundas do além, conforme segue a recomendação abaixo de Erasto:
“...fazei-a (Erasto refere-se às comunicações espíritas) passar pelo crisol da razão e da lógica e rejeitai desassombradamente o que a razão e o bom-senso reprovarem. Melhor é repelir dez verdades do que admitir uma única falsidade, uma só teoria errônea.”5
Não há nesta argumentação nenhum propósito de desmerecer o trabalho extraordinário daqueles Espíritos que foram incumbidos de realizar a revelação espírita (São João Evangelista, Santo Agostinho, São Vicente de Paulo, São Luís, O Espírito de Verdade, Sócrates, Platão, etc..)1, pois sem o concurso deles o Espiritismo careceria de seu caráter verdadeiro, ou seja, seria uma expressão equivocada das leis Divinas espirituais. Em contrapartida, uma postura criteriosa, cautelosa, investigativa, questionadora e abnegada por parte de Kardec garantiu, com boa dose de certeza, que as comunicações recebidas eram, de fato, provenientes de Espíritos superiores. O que estamos tentando esclarecer para o querido leitor é que o caráter científico da Doutrina é o que garante a origem divina da revelação espírita, sendo a ciência espírita de total responsabilidade dos espíritas, e não dos Espíritos. Portanto, a nossa postura diante dos fenômenos é que vai caracterizar o Espiritismo como ciência, a exemplo de Kardec. 
O Fundador do Espiritismo discorre em seu brilhante artigo intitulado “Caráter da Revelação Espírita”, contido em sua obra “A Gênese” o papel dos homens perante os fenômenos. Ele considera que a revelação espírita tem duplo caráter: divino e científico. Esta passagem é tão esclarecedora que dispensa qualquer comentário.
“Por sua natureza, a revelação espírita tem duplo caráter: participa ao mesmo tempo da revelação divina e da revelação científica. Participa da primeira, porque foi providencial o seu aparecimento e não o resultado da iniciativa, nem de um desígnio premeditado do homem; porque os pontos fundamentais da doutrina provêm do ensino que deram os Espíritos encarregados por Deus de esclarecer os homens acerca de coisas que eles ignoravam, que não podiam aprender por si mesmos e que lhes importa conhecer, hoje que estão aptos a compreendê-las. Participa da segunda, por não ser esse ensino privilégio de indivíduo algum, mas ministrado a todos do mesmo modo; por não serem os que o transmitem e os que o recebem seres passivos, dispensados do trabalho da observação e da pesquisa, por não renunciarem ao raciocínio e ao livre-arbítrio; porque não lhes é interdito o exame, mas, ao contrário, recomendado; enfim, porque a doutrina não foi ditada completa, nem imposta à crença cega; porque é deduzida, pelo trabalho do homem, da observação dos fatos que os Espíritos lhe põem sob os olhos e das instruções que lhe dão, instruções que ele estuda, comenta, compara, a fim de tirar ele próprio as ilações e aplicações. Numa palavra, o que caracteriza a revelação espírita é o ser divina a sua origem e da iniciativa dos Espíritos, sendo a sua elaboração fruto do trabalho do homem.6
Por João Viegas

Referências
1)  KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 74ª ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, Prolegômenos.
2) KARDEC, Allan. A Gênese. Tradução de Guillon Ribeiro. 38ª ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, Capítulo I, Caráter da Revelação Espírita, ítem 15.
3)  KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 74ª ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira; Justiça da Reencarnação; Cap IV – Da Pluralidade das Existências, Parte Segunda – Do mundo espírita ou mundo dos Espíritos.
4)   KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. Tradução de Guillon Ribeiro. 64ª ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, Comunicações apócrifas, Capítulo XXXI – Dissertações Espíritas, Segunda Parte – Das manifestações espíritas.
5)   KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. Tradução de Guillon Ribeiro. 64ª ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, Capítulo XX – Da Influência Moral do Médium, Segunda Parte – Das manifestações espíritas.
6)   KARDEC, Allan. A Gênese. Tradução de Guillon Ribeiro. 38ª ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, Capítulo I, Caráter da Revelação Espírita, ítem 14.

terça-feira, 26 de julho de 2016

"Allan Kardec: Fundador do Espiritismo" publicado no Jornal Ciência Espírita

Saudações amigos de ideal espírita!
É com grata satisfação que informo que o artigo “Allan Kardec: Fundador do Espiritismo” de minha autoria foi publicado no Jornal Ciência Espírita. Aqueles que desejarem acessar a página e postar algum comentário, estejam à vontade. Segue o link abaixo: